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Dia 27/01/2006 minha mãe foi até o Hospital e Maternidade Jardins, queixando-se de dores fortes de cabeça e ptose palpebral (queda da pálpebra esquerda).

Foi atendida pela Dra. Eliana no P.S. às 11:00hs e ficou a tarde inteira aguardando avaliação do neurologista. Como este não apareceu ela foi internada.

Fui informada da internação às 19:00hs e me dirigi ao Hospital, lá chegando às 20:30hs, não encontrei nenhum médico de plantão no andar que ela estava, mas fui informada pela equipe de enfermagem que o neurologista não estava no Hospital e não tinha previsão de horário para chegada. Que o diagnóstico inicial era Paralisia do III NC (terceiro nervo craniano) e que eu deveria retornar no dia seguinte pela manhã e falar com o neuro.

Fui para casa e retornei às 8:30hs no dia 28/01, não encontrei o neuro, conversei com o clínico geral Dr. Paulo que me deu várias respostas evasivas mas que por ele minha mãe já teria tido alta pois o quadro não era grava e normalmente essa paralisia era reversível, porém ele preferia aguardar a opinião do neuro. Voltei pra casa e às 16:00hs no horário de visita ela ainda não tinha sido avaliada. O neurologista, Dr. Carlos M. Acosta Serrano, chegou somente às 17:30hs, examinou-a apenas movendo uma caneta de um lado para outro, no que minha mãe informou que estava ficando tonta (Tudo isso na minha presença, da minha vó e de outra paciente). Deu alta para ela apenas com esse exame, eu questionei-o sobre a gravidade da situação, perguntando se não era perigoso. Ele limitou-se à responder que não havia nenhum perigo, pois o que tinha de acontecer com ela já havia ocorrido e que só voltasse lá mais ou menos depois de 5 dias com o resultado de uma ressonância magnética que ele pediu. Ela foi para casa, passados 2 dias foi comprar frutas no Shopping Iguatemi, desmaiou, foi levada ao Hospital das Clínicas, deu entrada com nível 4 que evoluiu rapidamente para nível 3 (Nossas funções cerebrais têm uma escala regressiva de 15 à 3. 15 são as pessoas que estão saudáveis e 3 é a morte). Foi dada morte cerebral no dia seguinte como causa hemorragia intracraniana.

Resumo: Não estou questionando o diagnóstico, o que matou minha mãe foi a negligência. Se os médicos tivessem realizado exames imediatamente no dia 27/01 as chances de vida de minha mãe aumentariam consideravelmente.
Dores fortes de cabeça, tontura e ptose palpebral, são indícios evidentes de aneurisma cerebral, constam em vários sites da net para qualquer um pesquisar, não precisa ser médico pra saber que esse tipo de problema requer intervenção imediata.

Ela tinha 54 anos, não tinha problemas de saúde, deixou minha vó com 83 anos, debilitada e que dependia dela para sustento. Desde o Natal minha mãe visitava este hospital com os mesmos sintomas, mas o descaso é tão grande que não se deram ao trabalho de encaminhá-la à outro órgão que tivesse aparelhagem adequada para fazer tomografia ou ressonância. E depois disso venho constatando que isso ocorre lá diariamente e impunemente há mais ou menos 3 anos. Eles vêm vitimando fatalmente ou causando seqüelas irreversíveis em pacientes.

Movi uma ação civil e registrei boletim de ocorrência e agora preciso talvez, da mais poderosa das armas: a informação. É minha obrigação divulgar o que ocorre diariamente neste Hospital e tentar impedir que outras vidas sejam ceifadas tão absurdamente e outras famílias passem o que estamos passando.

Me uni à outras vítimas do mesmo órgão e realizamos uma manifestação na porta do Hospital.

Levei o caso aos jornais e denunciei ao Ministério Público, o CRM instaurou uma sindicância mas até agora nenhum órgão apresentou um parecer.


Marcia Pereira Vilerá

 

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