::Caso
Mauricio::

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::Matéria publicada no Jornal Tribuna do Povo, em Araras, SP::


De julho a novembro de 2003, Rose Rezende trilhou uma difícil caminhada ao lado de seu irmão. E os reflexos dessa caminhada estenderam-se até os dias de hoje.


Mauricio Pereira Silva
Vítima fatal de negligência médica

Mauricio Pereira Silva faleceu em novembro daquele ano aos 38 anos de idade, na cidade de Araras – SP, vitimado por negligência médica em um quadro pós-cirúrgico. Sua perda gerou muita dor aos familiares e amigos, mas com um sentimento paralelo de inconformismo. Como pode o desleixo de alguns se sobressair à ética profissional que todos deveriam possuir?

Na busca de várias respostas às suas dúvidas e na procura de uma solução para enfrentar esse doloroso falecimento, Rose conheceu muitas pessoas envolvidas em casos semelhantes ao seu e que também estavam passando pelas mesmas dificuldades. Surgiu daí a semente para o “ProVida - SOS Erro Médico", uma ONG disposta a ajudar e a oferecer apoio para estas pessoas. Porque as mesmas mãos que curam, também matam!

Leia o caso:

É cediço que nas ações indenizatórias por danos morais e materiais, decorrentes do óbito de parente direto, a legitimidade ativa ad causam é detida, não pelo espólio, mas sim pelos sucessores em nome próprio. Os danos morais vinculados à morte de ente querido integram o patrimônio individual de cada um dos herdeiros, não se traduzindo em bens ou direitos deixados pelo de cujus e, portanto, sujeitos a partilhamento.

É o que se depreende no caso em tela, tendo em vista que a requerente é irmã do “de cujus” e sofre gravíssimos danos emocionais ocasionados por sua morte prematura e evitável, conforme se verá na explanação inicial.

A requerente não deseja para si nenhuma compensação financeira por tal sofrimento - uma vez que eventual indenização será revertida para alguma associação que tiver entre seus objetivos a defesa das vítimas de erro médico – de sua escolha, mas quer e necessita que o provimento jurisdicional possa aplacar a dor e conferir ao “de cujus” a dignidade de, onde quer que esteja, saber que sua morte não foi em vão.

DOS FATOS:

Mauricio Pereira da Silva, doravante referido apenas como “Mauricio”, era cliente do Dr. ???????????, que doravante denominaremos apenas como “Dr.?????”, para facilitar o entendimento. No dia 8 de Julho de 2003, Mauricio teve dores abdominais e no dia seguinte procurou o Hospital Pró Saúde ficando em observação, sendo realizados exames.

No dia 11 de Julho de 2003, constatou-se que aquela dor era sinal de infecção e como nos exames do ultra-som não foi constatado onde era a causa do problema, suspeitou-se tratar de problemas no apêndice. Foi encaminhado para cirurgia e o corte foi feito mais ou mesmo na parte superior do abdome e ao se fazer à incisão constatou-se que o problema na realidade era divertículite, sendo que um divertículo estava inflamado no intestino. Foi necessário retirar-se parte do intestino e colocar-se a colostomia, onde o intestino é desviado de seu curso normal, sendo feita uma abertura no abdome e ali colocada uma bolsa para coleta das fezes. Tal cirurgia foi realizada no Hospital do Convênio Pró-Saúde pelas Dras. Tâmara e Paola.

Mauricio ficou internado no pós-operatório por mais de 15 dias sendo que tal primeira cirurgia foi bem sucedida, sem qualquer complicação posterior. Houve acompanhamento próximo pela Dra. Tâmara e o quadro clínico era bastante favorável, sendo orientado que após 3 meses da cirurgia poderia ser feita a retirada da colostomia e a religação do intestino. No entanto, tendo em vista que o Hospital Pró-Saúde não possuía Unidade de Terapia Intensiva, a Dra. Tâmara orientou Mauricio a procurar outro médico que pudesse fazer tal cirurgia em local apropriado, à saber, o Hospital São Luis, onde está disponível uma CTI, se houvesse necessidade.

Foi escolhido o Dr.????, gastroenterologista, para tal mister. Da mesma maneira foi escolhido o Dr. !!!!. Uma vez que o dr. ???? tinha vaga na agenda para consulta foi o consultado em primeiro lugar. Em tal consulta foi dito a Mauricio, na presença da sua irmã Rosemary, que tal cirurgia de religação era absolutamente simples e seria como “arrancar um dente” além de tecer críticas à Dra. Tâmara por esta haver feito a primeira cirurgia num Hospital que não possuía equipamentos apropriados para tal situação. Ao mesmo tempo informou que fosse ele que houvesse feito a primeira cirurgia ele não teria utilizado a colostomia. Neste aspecto o Dr. ???? claramente garantiu resultado, sendo tal procedimento cirúrgico, a partir de então observado por Mauricio e por seus familiares como uma obrigação de resultado e não como obrigação de meio. Tanto foi assim que se dispensou a opinião de outro profissional, no caso o Dr. !!!!, dada a segurança que lhes foi passada pelo Dr. ???? naquela ocasião.

Em 19 de Outubro de 2003, Mauricio internou-se novamente com a finalidade de fazer o fechamento da colostomia e a religação do intestino para que pudesse defecar pelos meios naturais. Tal internação foi feita no Hospital São Luiz e a cirurgia de religamento foi realizada pelo Dr. ????. Em 21 de Outubro foi submetido à cirurgia acima mencionada e conforme relatório anexo na fl. 11 (verso) a referida cirurgia ocorreu sem qualquer anormalidade.

Porém, no mesmo dia, conforme o mesmo relatório médico, a equipe de enfermagem, fez ligação telefônica para o Dr. ????, informando que o curativo estava sangrando e molhando a cama, sendo autorizado a troca do curativo e mantendo a medicação anteriormente prescrita. Bom ressaltar que tal orientação foi dada via telefone e que o Dr. ???? não acompanhou mais de perto o pós-operatório de Mauricio. (Relatório anexo fl. 12).

Na visita feita após as 18 horas naquele dia, o Dr. ???? afirmou que era desnecessária a ligação telefônica feita para ele porque era absolutamente normal vazar sangue no pós-operatório e as próprias enfermeiras poderiam cuidar disso sem sua supervisão. Quando a requerente disse que o vazamento era tamanho que molhou a cama e pingava no chão o Dr. ???? disse que isso era normal e que as enfermeiras “não sabiam de nada” e ”ficaram assustadas à toa”. Tal vazamento ocorreu quando da transferência de Mauricio da maca da sala de cirurgia para a cama no quarto. As enfermeiras assustadas com o vazamento tão forte telefonaram e tal procedimento não foi por não saberem de nada, mas por estarem assustadas com algo que não viam normalmente ocorrer, pela quantidade de líquido que saia do corte cirúrgico e do curativo.

Em 22 de Outubro de 2003, novamente de acordo com o prontuário médico, Mauricio apresentou hipertermia (febre alta) de 39,5º e hipertensão (pressão alta) de 18x10. A ligação telefônica para o Dr. ???? teve que ser reiterada, uma vez que não houve retorno da primeira ligação, e prescreveu-se, por telefone, o medicamento Capoten 25mg, sem porém que o Dr. ???? sequer tivesse olhado o paciente. Tal informação foi transmitida pela secretaria do consultório do Dr. ???? e não por ele pessoalmente ou por telefone diretamente à equipe de enfermagem. (Relatório anexo fl. 17 verso)

Neste intervalo foi recebido o resultado do exame anátomo-patológico da boca da colostomia e detectou-se um processo inflamatório crônico leve. Ou seja, isso significa, que a primeira cirurgia feita pelas Dras. Tâmara e Paola estava absolutamente perfeita e que não haveria qualquer motivo de preocupação concernente a mesma, nada indicando que houvesse qualquer infecção anterior que pudesse agora estar provocando tal hipertermia e hipertensão.

No mesmo dia 22 de Outubro, á tarde, durante a visita diária do Dr. ????, a requerente argumentou que estava preocupada com a febre alta de Mauricio e o Dr. ???? disse que isso era absolutamente normal depois de uma cirurgia de tal magnitude. A partir deste instante a requerente passou a monitorar a temperatura de Mauricio e constatou que ela não voltou mais a ser normal e variava entre 37,2 até 37,8. Confrontando o Dr. ???? com esta informação o mesmo disse que tal temperatura não caracterizava nem febre, nem estado febril.

Foi confrontado com a pergunta relacionada ao que todos sabem. Quando existe febre existe infecção. Será que não seria o caso de exames mais aprofundados? O Dr. ???? disse que isso era absolutamente desnecessário.

Dentro dessa internação, enquanto estava presente o irmão de Mauricio, Sr. José Adriano Rezende Silva, o Dr. ???? determinou a retirada da sonda nasogástrica e Maurício disse que sentiu que algo “estourou” dentro dele. O Dr. ???? Simplesmente sorriu. Mais ainda, o paciente referia dores abominais intensas que partiam do abdômen e subiam para o lado esquerdo do tórax. O Dr. ???? dizia que aquilo era resultado de gases e que seria resolvido se o paciente andasse um pouco, mas o paciente estava impossibilitado de fazê-lo, assim a dor continuava. Exames para diagnosticar se havia alguma coisa mais grave com Mauricio não foram feitos, nenhum ultra-som, nem radiografia depois da cirurgia.

No dia da alta médica foi novamente dito pela família ao Dr. ???? que o paciente não estava bem, continuando a referir fortes dores abdominais e praticamente impossibilitado de caminhar, o que foi completamente ignorado pelo Dr. ????, que sem dar qualquer atenção às queixas de Mauricio simplesmente perguntou se ele queria ir embora para casa, então Mauricio respondeu que sim - que se aquelas dores eram normais ele preferia estar em sua casa, o que é bem natural, pois o ambiente hospitalar é peculiarmente opressivo. O Dr. ???? então respondeu: “Vou dar alta para você.” Pelos familiares foi dito ao Dr. ????, novamente: “Como você pode dar alta a ele com essas dores e a febre?” Irritado o Dr. ???? voltou a dizer que não era febre e que a dor era normal, ao que a requerente respondeu: “Se você, que é medico, acha que não há nada de errado quem sou eu para dizer o contrario”. Assim a família, contrariada aceitou sua alta, embora continuasse a dizer para o Dr. ???? que ele não tinha condições para tal.

Mauricio recebeu alta médica no dia 25/10/2003, referindo ainda estar com muitas dores. Tais dores não desapareceram em nenhum momento depois da cirurgia. Pelo contrário, naquele mesmo dia foi levado para sua residência e as dores foram aumentando. Desde o dia 19 até o dia 23 de Outubro ele ficou em quase completo jejum, primeiro por causa da cirurgia depois por causa da dor. Cerca das 22 horas do dia 25/10 a família entrou em contato com o Dr. ???? dizendo que o paciente estava com fortes dores e este disse que se houvesse algum remédio em casa que servisse como analgésico deveria ser dado ou senão deveria ser-lhe aplicada uma injeção de Voltarem. Perguntou para a requerente se o paciente estava andando e foi-lhe respondido que o paciente continuava no mesmo estado que se encontrava no Hospital, ou seja, sem condições de mobilidade, com fortes dores, e com a temperatura acima de 37º e o Dr. ???? informou que estava cansado de dizer que 37º não era febre, nem estado febril.

No dia 26, a requerente entrou em contato novamente com o Dr. ????, pois Mauricio estava cada vez pior, pediu para que ele viesse até sua casa para ver Mauricio, pois o mesmo estava até chorando de dor, e o Dr. ???? respondeu que não poderia ir, que se a requerente quisesse, que o levasse ao hospital. A requerente informou que Mauricio não estava conseguindo nem se mover na cama, e que a requerente pagaria pela consulta se fosse necessário, mas o Dr. ???? continuou a afirmar que não viria, que a mesma “desse um jeito”. Foi assim que a requerente chamou o SAMU.

Conforme documento de fl. 30 (relatório anexo) em 26/10/2003, o mesmo foi atendido pelo SAMU (Serviço de Atendimento Municipal de Emergência) referindo fortes dores abdominais. Foi novamente internado, tendo sido admitido com temperatura de 39º, o que caracteriza febre alta, própria de processo inflamatório e infeccioso. O trajeto entre o bairro Narciso Gomes, residência de Mauricio, e o Hospital precisou ser feito em 25 minutos, tamanha a intensidade das dores de Mauricio. Normalmente tal trajeto pode ser perfeitamente coberto em menos de 10 minutos. Bom lembrar que durante o trajeto Mauricio necessitou utilizar durante todo o tempo máscara de oxigênio.

Na recepção do Hospital São Luis a médica plantonista que atende Mauricio informa que não poderia dar-lhe nenhum remédio para dor porque ele estava muito distendido e provavelmente ele iria direto para o centro cirúrgico. O Dr. ???? apareceu, retirou a borracha externa do dreno, cheirou esta borracha e pediu que fossem tiradas radiografias e feita a internação. Ato contínuo foi embora do Hospital sem sequer ver o resultado das radiografias. Mauricio continuava com fortes dores. Pediu a uma médica que lhe desse algum sedativo para dormir, mas a médica disse que precisavam contatar o Dr. ????. Mauricio chorava e implorava, mas em vão. O Dr. ???? não apareceu mais naquela noite. Houve muita demora neste atendimento. Mauricio chegou ao Hospital por volta das 21:30 horas e somente foi medicado para atenuar suas dores por volta das 23:00 horas. Durante esse período gemia e chorava de dor.

Naquela noite as enfermeiras insistiram em colocar sonda nasogástrica no Mauricio e ele não agüentava a dor e desta forma não conseguiam colocá-la. Ele implorava por uma anestesia ou um sedativo e elas diziam que não era possível e que este procedimento, da colocação da sonda, havia sido prescrito pelo Dr. ????. Tentaram colocar a sonda por 5 (cinco) vezes, com excruciante dor para Mauricio. Bom lembrar que na primeira tentativa da colocação da sonda começou novamente a vazar nos pontos da cirurgia. Novamente a quantidade de liquido que vazava da cirurgia era muito grande e que molhou novamente os lençóis, necessitando ser trocado várias vezes. Foi chamada a médica plantonista daquele corredor e a mesma apenas medicou Mauricio com Dramim e Buscopan. A requerente disse que as enfermeiras parassem o procedimento da colocação da sonda e telefonassem para o Dr. ????, mesmo assim as enfermeiras continuavam tentando colocar a sonda e diziam que haviam telefonado mais de três vezes para o Dr. ???? e segundo elas o médico insistia no procedimento dizendo que após a colocação da sonda as dores desapareceriam. Esses fatos foram presenciados em parte pela outra irmã de Mauricio, Vanilda Rezende Silva. (relatório anexo fl. 35 verso).

Cerca de 4 horas após a última tentativa de colocação da sonda o Dr. ???? apareceu no quarto. Mauricio disse que não suportava a colocação da sonda sem um anestésico ou sedativo. O Dr. ???? disse que era óbvio que ele não agüentaria. A requerente perguntou então porque o paciente foi praticamente torturado durante a noite inteira. O Dr. ???? disse que na primeira ligação telefônica havia informado que este procedimento não deveria mais ser realizado, alegação esta negada pelas enfermeiras. Ao ser indagado sobre a necessidade de nova cirurgia desconversou. A família e o paciente somente souberam que Mauricio seria novamente submetido a cirurgia através das enfermeiras.

A família não recebeu qualquer explicação sobre o porque daquela cirurgia. Do ponto de vista da família a única coisa que ocorria com Mauricio é que ele tinha gases na região abdominal e com essa informação e expectativa é que aguardaram a cirurgia. Mauricio foi levado ao Centro Cirúrgico do Hospital. Conforme o documento de fls. 39V tal procedimento seria uma revisão da hemicolactomia, ou seja, da retirada da colostomia e religação do intestino. Durante o procedimento Mauricio teve uma parada cárdio-respiratória e foi foi encaminhado ao Centro de Terapia Intensiva (CTI). Enquanto a família aguardava o médico para perguntar sobre como havia sido a cirurgia a requerente perguntou a enfermeira YYYY o que havia de fato acontecido para necessitar da cirurgia. Esta enfermeira entrou no Centro Cirúrgico e informou que o problema era de deiscência de anastomose, que significa que um dos pontos da cirurgia de religação do intestino feita pelo Dr. ???? havia se rompido (Relatório anexo fl. 42).

Após a cirurgia e sem o conhecimento de que o Mauricio houvera sofrido uma parada cardíaca a requerente indagou do Dr. ???? como havia sido a cirurgia. Ele disse: “Voltamos a estaca zero, ele voltou a usar a colostomia”. Nesta ocasião a requerente estava em companhia de sua irmã Elizabeth Rezende Silva e da Sra. Elizabeth Bezerra. Em nenhum momento o Dr. ???? informou que o Mauricio houvera sofrido uma parada cardíaca, durante a cirurgia, negando informação vital para a requerente. Da mesma maneira o Dr. ???? disse que o divertículo que houvera sido extirpado na primeira cirurgia é que tinha infeccionado de novo, como se isso fosse possível, uma vez que tal divertículo foi retirado. Somente após conversa com o cardiologista Dr. **** é que lhe foi prestada tal vital e determinante informação.

Uma das médicas da CTI, Dra. (), em conversa com a requerente confirma que o problema que resultou na cirurgia foi realmente o rompimento de um dos pontos da religação. Por não receber qualquer informação do Dr. ???? e ter ouvido explicação que era impossível de acontecer tal rompimento, a requerente ligou para um medico conhecido, Dr. #### e pediu conselho e ajuda, relatando tudo o que havia ocorrido com seu irmão e as mentiras contadas pelo Dr. ???? foi aconselhada a ir até o consultório do Dr. ???? e pedir maiores explicações, pois ele acreditava que foi o nervosismo que fez com que o Dr. ???? não se explicasse bem, pois uma parada cardíaca em uma cirurgia era difícil para qualquer médico, e só se ele insistisse com as mentiras que é que a requerente deveria procurar outro médico. (Relatório anexo fl. 39 verso).

Seguindo seu conselho, a requerente e seu irmão Mauri Rezende da Silva, foram então até o consultório do Dr. ???? e lá a requerente perguntou o que de fato havia acontecido com seu irmão, pois não havia entendido o que ele tinha falado ainda no hospital. Foi então que ele repetiu as mesmas palavras, ou seja “o divertículo que foi tirado inflamou de novo”. Quando perguntou-se sobre a parada cardíaca havida na cirurgia, o Dr. ???? perguntou dissimuladamente: “Que parada?” A requerente informou que houvera falado com o Dr. ****. Neste momento o Dr. ???? disse: “Ah... aquilo. Aquilo não é nada.” A requerente perguntou: “Uma parada cardíaca não é nada?”. Ao que o Dr. ???? respondeu: “Não é nada. Isso é normal. É rotina”.

A requerente tentou contatar outros dois médicos para que assumissem o caso, mas nenhum deles se dispôs por motivos éticos. Naquele mesmo dia a requerente voltou ao Hospital e o Dr. ????, que estava conversando na ocasião com o Dr. ####, pela primeira vez lhe disse que o estado de seu irmão era grave, que ele estava consciente, mas que ainda corria risco de vida. Tal afirmação foi feita apenas algumas horas depois dele mesmo ter afirmado que estava tudo bem. Essa foi a última vez que ele falou com a família. A partir daí a requerente solicitou o prontuário do irmão, pois queria as respostas que ele se negou a dar, mais isso lhe foi negado, inclusive pelo diretor clínico da Santa Casa, Dr. &&&&, alegando que Mauricio estava sendo muito bem atendido e que inclusive o cateter colocado nele foi uma escolha entre ele e outro paciente que também necessitava, uma vez que o hospital só dispõe de um, nesse dia Mauricio ficou consciente pela ultima vez, mantido em coma induzido, e não retornou mais à consciência.

No dia 1º. de Novembro a requerente foi chamada pelo Hospital por volta das 6:00 horas da manhã e informada que seu irmão, 38 anos, perfeitamente saudável, alegre e disposto antes da cirurgia mal-sucedida feita pelo Dr. ????, morrera.

Na CTI foram-lhe administrados os antibióticos, segundo os médicos de 1ª 2ª 3ª 4ª geração. O diagnóstico da autopsia foi de septicemia (infecção generalizada). Relatório anexo fl. 79. Feita a necropsia o laudo pessimamente redigido não constatou o corte da colostomia e foi completamente evasivo com respeito a causa da septicemia.

De lá para cá a vida da requerente desmoronou. Tem dificuldades para dormir, concentrar-se, sorrir. A requerente entende que é perfeitamente possível que uma cirurgia não seja completamente bem-sucedida por motivos diversos, mas o que dói é a completa insensibilidade do Dr. ???? as queixas do paciente e da família. Se houvesse dado maior atenção aos reclamos legítimos e não apenas “empurrado com a barriga” o problema, certamente, Mauricio poderia ter reais chances de ser salvo. Da maneira como foi tratado, não estamos diante de um caso de fatalidade e sim da mais completa negligência.

Que o Hospital São Luis, cuja entidade mantenedora é a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Araras é solidariamente responsável por manter tal profissional em seus quadros e por não ter tomado pronta ação para resolver o problema que ceifou a vida de um ser humano. A responsabilidade do hospital é objetiva nos termos do artigo 37, § 6º da Constituição Federal. O hospital requerido se negou a entregar o prontuário antes e depois da morte de

Mauricio, inclusive por escrito, foi feito um Boletim de Ocorrência e instaurado inquérito de nº 050/2003, uma vez que foram negados os direitos da família de ter acesso ao prontuário médico, valendo ressaltar que o Hospital Pró-Saúde imediatamente entregou o prontuário assim que foi solicitado o prontuário, só foi entregue com medida judicial, e faltando, documentos que até hoje não foram entregues. existe o inquerito policial processo cívile denúncia no CRM, audiência marcada para o 20/07/03 e muitas perguntas sem respostas:

1) Em quantos dias uma inflação e posteriormente uma infecção podem se transformar em septicemia?

2) Em quantos dias fezes saídas do intestinos e vazando para a caixa abdominal tornam-se responsáveis por septicemia?

3) Quais os sintomas da septicemia?

4) No caso de septicemia o paciente refere dor? Em caso afirmativo, onde?

5) Após a cirurgia, com febre de 39,5º qual o procedimento a ser adotado pelo médico? Solicitação de exames? Administração de anti-térmicos?

6) Constitui fator preocupante a demora em debelar o estado febril?

7) É normal a febre ou estado febril durar 6 dias? Em caso negativo que providencias deveriam ser tomadas?

8) Quais as possíveis causas da dor intensa sentida por Mauricio em seu lado esquerdo? Qual o procedimento para investigar a origem das dores?

9) O que sugeriria uma queixa do paciente dizendo que a dor que sentia começava pelo local do dreno e ficava insuportável irradiando-se até o ombro esquerdo?

10) Quais os sintomas de que alguém possui gases abdominais? Onde o paciente referiria dor neste caso?

11) Quais os exames podem ser efetuados para determinar se houve rompimento de pontos de uma cirurgia? Tal procedimento seria possível de ser feito no Hospital requerido?

12) Se os pontos da cirurgia se romperam, quais os sintomas que deveriam aparecer e que providencias deveriam ter sido tomadas?

13) Quanto tempo pode-se esperar para que tal providencia seja adotada?

14) Após vários dias da cirurgia, com dor intensa, temperatura anormal e muito distendido, seria o caso de se dar alta médica para um paciente? Quais procedimentos deveriam ser adotados num Casio assim?

15) No caso de a distensão ser tão grande que vazou sangue e outros fluidos corporais entre os pontos externos, como de fato ocorreu, que conduta deveria adotar o médico responsável? Seria o caso de retorno ao Centro cirúrgico para cirurgia exploratória? Quanto tempo se poderia esperar? O que ocorreria se aos primeiros sintomas o mesmo fosse levado ao Centro Cirúrgico?

16) Espera-se cerca de 10 horas, da internação com quadro de septicemia para a realização de cirurgia? Aumenta-se o risco com a passagem das horas? Qual a evolução da septicemia?

17) Qual a conduta correta para começar a mediação? Antibióticos mais leves e depois mais potentes, ou já os mais potentes diante do caso grave, como o relatado?

18) Uma parada cardíaca é normal durante uma cirurgia como exposto pelo médico aos familiares?

19) Paciente e familiares tem direito de acesso ao seu prontuário clínico, ou necessitam de ordem judicial para consegui-lo?

20) É padrão o medico legista entrar em contato com o cirurgião suspeito de negligencia antes de elaborar o laudo de uma autópsia?

21) Estando muito distendido, ao ponto de vazar liquido, é razoável acreditar tratar-se somente de gases intestinais?

22) Em quanto tempo as chances de um paciente aumentam se este for levado ao centro cirúrgico imediatamente? E em quanto diminui se somente o for após 10 horas do ocorrido?

23) Como é possível um legista não ver uma colostomia?

24) Nesse caso ficou claro que o legista omitiu a colostomia, ou será apropriado presumir que não foi o legista que omitiu e sim Mauricio que teve seu corpo adulterado depois de morto, ainda no hospital antes de seu corpo ser retirado pelos familiares. Como é possível saber se isto de fato aconteceu? Seria necessária uma exumação?

25) O motivo para se fazer a necropsia era obter respostas, mais ela só trouxe mais perguntas. Porque não foi respondido quais eram todas as causas da morte? Porque não foi descrito o estado dos órgãos?

26) Essa não consta no processo: que motivos tem o médico para mudar o lugar do dreno?

PS: se o paciente foi para o Centro Cirúrgico com um dreno do lado direito, por quê sair com o dreno em outro lugar?

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